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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não leia porque isso não presta


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Seres em sentimentos, desprovidos a essência do amor, na eterna procura de si mesmo que, por horas e horas ao redor do relógio, e da velha lisboa, mais um museu de turistas, o cenário deprimente das luzes em tom amarelo fosco, a clarear os ladrinhos calcejantes, brilhosos e vistuosos como minha alma que já foi.

Lisboa já não é mais a mesma, não há, mesmo no verão, a alegria de simplemesnte caminhar e sentir a brisa correr, abraçados, ou até menos que isso, de mãos dadas, num acto que na minha concepção de Tripa Seca, coitado, segurança, artista, poeta e qualquer coisas que me imputem, quais as não consdirero nenhuma, tenho conta de que tudo o que começa, termina. Uma vez que nada começou, não há um presente a viver, muito menos um futuro, do qual sonhei desde o primeiro encontro.


FARÇA CONTÍNUA PROJECTADA NO MEU IMAGINÁRIO FÉRTIL, PORÉM IMATURO.

"...A DOR ENSINA A GEMER..."


sexta-feira, 17 de abril de 2009

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Marcham sobre o degelo dos mares, embalados por cânticos enaltecidos pelo gozo e pela ignorância em repeti-los
Vulcaniza-se, à beira-mar, a chama fervente nas almas torturadas dos amantes de faces joviais, nem homens nem mulheres, apenas um par de criaturas fabulosas, estáticas e isoladas numa profundidade incalculável, astutamente irracional
Espíritos espinhosos descobertos do amargo paraíso perdido, impotentes pela maturidade amarga e pela infância perdida entre explosões celestiais e o estrépito fastidioso do fogo dos infernos, praguejando versos soltos ao ar, por estarem os corações ambiciosos enegrecidos pela imundície.
A força extinta a festejar o cheiro fresco da vitória desordenada e morta, desmorona então sobre os frémitos inconstantes e sobre as preciosas imaginações.
Tolice miserável e pálida.



sexta-feira, 20 de março de 2009

putaquepariu

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Minha história de vida é triste. Muito triste. É como se eu andasse o tempo todo a tentar escavar ruínas de memórias que nunca tive à procura do sentimento perfeito.
Ilusória ilusão.
Frustantemente penetrante.

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E essa música ridícula que fez, num tempo bonito e remoto, pensar que poderia ter o que queria... Pobre diabo que fui, sou e serei. Apenas posso contar com a minha solidão, e com esse refrão que virou SMS:


"Oh tonight you killed me with your smile
so beautiful and wild so beautiful
Oh tonight you killed me with your smile
so beautiful and wild so beautiful and wild"









Caralho!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Tripa Seca


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Mil noites atravessei escrevendo contos da minha fatigante jornada. 
Um pobre andarilho farrapo em ruas esdrúxulas , admirando o brotar espontâneo de versos líricos, obviamente com fraco sentido de realidade.
Queria ter levado uma vida como aquela, vivendo da boemia, entorpecendo-me na luxúria, ordinariamente cultivando a volúpia e as ideias erróneas da minha cabeça tarada.
Sim, realmente era esse o cenário que procurava, mas não o encontrei. Tracei planos que abandonei ao meio. Hoje culpo a minha essência debochada e cheia de cores. 
Sempre me resta a música lúgubre que embala as minhas tagarelices melancólicas.
Três desejos ansiei, nenhum a mais. O sonho da minha vida é crivado de lápis-lazúli.
Nas cortinas ásperas do meu fértil imaginário, ligeiramente disparatado, bordo a paisagem inatingível outrora desfeita em migalhas.
Doeu muito. Doeu…
Ah, se eu tivesse a habilidade de parar o tempo! Minha alma imergir-se-ia naquele cenário de dementes e sentiria beijos indecifráveis queimarem-na, e o meu fétido corpo seria igualmente marcado com ferros rubros numa aliança involuntária. Há coisas que não têm volta. Assim, não obstante, rangeria os dentes com toda a força porque já não haveria impulso afetivo algum. Nesse momento já teria eu sucumbido e a decadência personificado-se em mim, vil poeta urbano, cansado da nauseante vida.
Prefiro fumar, e descontrair, e não me importar com as rimas, como agora faço, porque nunca fiz nenhuma, nem sequer uma postiça.
Pobre alma.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Turbulência

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O silêncio absurdo é quebrado pelo seu narcisismo idiota, e já não sei se ainda restou algo aqui. Os meus olhos vêem tudo tão distante, e contemplo o eterno e o vazio com o meu cigarro barato e uma dose de wisky. Esse mel que me é agradável na garganta, e com vozes roucas brigo contigo porque estou exausto, e não consigo chegar em casa antes do anoitecer. Mesmo os travesseiros de algodão macio não mais me deixam sonhar em paz, nem me fazem mais voar às estrelas. 
Ofereça-me um jantar hoje a noite para que brindemos sobre coisas que não vamos fazer, assim eu não iludir-me-ei mais, e finalmente perceberei que algumas coisas não vão mudar, e o “nem quem seja outro dia” vai existir.
Eu que sempre guardei os meus dias, fico sem chão onde pisar, porque estavam cheios de bolor. Tento negar a fumaça que se dispersa no ar, avisando que o meu sentimento mor, fumegou. 
Sei que não consigo recuperar os cintilantes sorrisos nem os faiscantes olhares, entretanto guardo aqui aquela foto que foi tirada no crepúsculo do verão, talvez não se recorde. Tudo bem, agora, apagas o fogo e fechas a porta ao sair, porque vou continuar aqui a contemplar a minha luxúria e ver um filme antigo e cabeças degoladas.
Prometo que hoje não vou ter pesadelos quando dormir, isso porque já me habituei ao sangue que escorre, e as mortes comuns que me cercam. Prometi não voltar e não vou, já me levantei para ver o dia anoitecer. Nada mais vai me machucar, mesmo sem saber porque, só que eu já tirei esse desgosto do meu coração e não vou dar sorrisos hipócritas quando me disserem que o garoto tem que morrer.
Quem me disse, amor, que os jovens têm pálpebras abertas e flechas em suas mãos? Talvez fosse um desejo inatingível. É tolice e débil crer assim. O mundo não merece o nosso bom pecado e nossa paixão idiota. É minha culpa, mas é tudo tão bom, e isso equilibra a balança entre o bem e o mal.
Sabe, já não há como conseguir parar isso, nem como consertar os erros, deixamos ir muito longe, todavia, se eu for muito pesado de se carregar, podes me deixar aqui, eu fico esperando o teu retorno improvável. Melhor repartir comigo mesmo o meu medo de dizer o que mais me fere e o que eu mais odeio em ti, é tão aliviante. Me aquieta a alma.
Vou provar que a minha carne dilacerada foi entregue como oferenda ao Satã, e o meu rosto que foi desfigurado e enterrado sem o meu corpo, porque ele é sádico. E poder gritar onde está o capitão, e dizer que não foi mais um delírio do meu lado sonhador.
Não sei mais o meu destino, porque, está a minha vida, em colapso. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mon cabaret rouge.

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Onde estão os punhais de ódio? Aquelas mãos amigas lançam o coração dos tolos na fogueira e fazem arder como bruxas numa noite sem fim. Da cidade vazia, ouve-se gritos de desespero vindos das frias florestas que guardam este vilarejo.
A agonia nos apanha.
Um povo falido, com vidas destroçadas, mumificam os seus restos mortais nessa promessa desconhecida, reservada ao silêncio.
Sim, é trágico o exército de indigentes, que vinga essa multidão suja. Eles não conhecem a própria casa, apenas vivem como andarilhos, semeando discórdia e o amor vagabundo que sentem. É nisso em que se comprazem.
Não há aqui inocentes. As orgias alimentam cada alma vazia, entoam com vozes desentoadas, mórbidos cânticos ao senhor dos senhores. O mesmo que dizer: cada um venera o seu próprio eu. Terra de gente hipócrita e louca, comem toda essa refeição sem pensar no inverno que logo chega. São imundas e da sua fala, escuta-se algo semelhante aos latidos de cães sem dono.
Nunca houve verdade neles.
Eu nunca fui desta gente, mas entre o meio deles, vivi. Todavia, não sei se é essa a palavra, ideal. Creio que “protagonizei”, encaixa-se melhor nessa sentença. Nunca fui compreendido. Serei porventura poupado da ira de Deus?
Ó Senhor! Tende misericórdia dessa pobre alma que perece! Suplico pela tua atenção! Ouve o meu clamor!
Não é um deboche… Digo que sou apenas um ”come-ratos” de roupas velhas. Considero-me mais vagabunda que todas as putas de Sodoma e Gomorra em actos sexuais, ilícitos ao olhos do “começo e o fim”, juntas.
Sempre que me convém, obviamente.

(…)

Ai essa minha característica endiabrada!...
Adoro-me. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dissabor

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Malditas penas do inferno! Danados vinde até mim, e meu querido Satã contemple este sol que cega os meus olhos. Hoje transpiro sangue e respiro fumo negro. Tenho ódio nas minhas entranhas. Desejo a tua condenação. Porque insiste em me fazer sofrer?
És um ser desprezível, desprovido de sentimentos benévolos. Despertaste-me do sono da ira que eu jazia. Os campos floridos foram esmagados com os teus pés. Os meus sonhos, destroçados com a tua deteriorada realidade. O amor agora converte-se em fúria impetuosa. Nasceu do meu coração o desejo de vingança.
 Quando tive sede não me deste da tua água. Não me alimentaste, nem cuidaste de mim.
Descompensei-me e não há regresso.
As minhas suposições em torno da minha própria loucura, tornam-se verídicas neste momento psicopata. Não faz qualquer sentido acreditar em qualquer palavra que seje proferida da tua nojenta boca. Suas palavras são como facas afiadas, e quando lançadas perfuram o meu coração, fazendo morrer toda a vida. É este o teu prazer? Ver-me subordinado a ti? Não sou uma marionete com quem brincas. Não me tomes por parvo, porque não o sou. Nem zombes da minha aparência.
Desaparece-te da minha frente, ó inconveniente infortúnio! Iludiste-me e fizeste-me de tolo todo esse tempo. Desperdicei a minha juventude e os bons sentimentos. Quão grande é o meu descontentamento. Em parte fui errado, porque acreditei. O homem não deve confiar sequer na própria sombra, tãopouco em outro homem.
Habito nesta casa de angústia por não ter construído um sólido refúgio. Encontro-me nú. Que fazer? Recolho com os meus pulsos cortados, cada pedaço de mim que ficou estilhaçado nesse chão sem fundo. Dispenso-te com desprezo. Inutilizo os teus planos e te dou um último beijo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Episódios

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A minha infância foi marcada pelo desprezo, simultaneamente a isso, a inocência, que deixaram cicatrizes que jamais esvaecerão. Essa inocência tola gera em minha personalidade uma característica tola, um defeito, talvez. O meu nada traduz-se em tudo. Lembro-me de despender grande parte do meu tempo à brincar às escondidas. Mas viria eu, saber, anos depois, que andava a esconder de mim mesmo. Outra história…
De resto, não havia essa traça que hoje corrói as minhas roupas e essa peste que destrói as minhas esperanças. Sou suspeito em dizer, logo sempre vivi num mundo paralelo, esse que continuo a insistir na sua criação. Lembro-me ter sempre sonhar intensamente, e neles via bouleverds do mais transparente e polido cristal, onde que de lá eu tinha uma visão de um ambiente com pedras de fogo e papéis de parede desbotados. À princípio, e talvez ainda hoje, não perceba o seu significado. Nem quis traduzir. Fazia-me impressão quão sombrio e quão mau aspecto possuía. Em suma, era feio e desagradável. Nenhum ser minimamente humano consentiria em permanecer naquele lugar inapto à vida.
Era comum o meu fechar de olhos, e fugir à encenação. Entretanto, subitamente intrometia-me uma profunda amargura sem racional explicação. Algo dolorido que esteve a me atormentar por anos. Sempre os mesmos velhos fantasmas arrastando suas pesadas e enferrujadas correntes, com vozes que lembravam o sussurrar do vento, tentando compulsivamente a acorrentar-me ao meu passado que tanto repugnei. Penso, algumas vezes, se porventura seria algo consentido pelo meu inconsciente, logo, hoje, concluo pelos demasiados lapsos e “acidentes-propositais-inconscientes” que vêm tomando força com o passar das primaveras. Arranquei os meus ouvidos para não escutar as insinuações com ar do inferno contra mim, fiquei ainda cego para não enxergar os dedos em minha direcção e a danação eterna. A minha alma, bem, essa nunca, e infelizmente não consegui mutilá-la.
Será que fui errado todo o tempo?
Ai aquela risada estúpida!... Coitadinho do inocente que ele se tornava! Era um belo papel, bom actor coadjuvante em sua desprezível passagem pela minha vida. Ó como te odeio criatura infame! Quantas vezes eu senti-me estiraçado na lama, como se eu fosse a mais vil das criaturas... Alguém que fosse indigno de respirar esse ar que “Deus “ concede.
Sofri calado, tal e qual as vacas que vão inocentemente para o matadouro, até que chega a hora em que tudo acontece e elas berram. Acho que posso igualar-me. Era assim que eu agia. Porém não gritava com a garganta, mas sim com o meu rancor que penetrava o meu peito. Gritava para que eu acordasse do profundo sono e quebrasse aquele maldito feitiço lançado em mim.
Renunciei ao meu próprio querer, quebrei os espelhos e vomitei aquela porção de veneno antes que me chegasse às artérias. Esfarelei-me até virar pó e renasci como a Fénix renasce das cinzas. Hoje ergo-me. Já não ouço nada, apenas a minha mansa loucura. Vejo-me fronte à essa realidade, mesmo muito imperfeita e desgraçada para a minha personalidade, rumo.
Não estou morto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Folhas secretas

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São nessas folhas secas de papel áspero, que tenho registado minhas memórias. Não sei o porque dessas escritas, logo, são frases sem rima que jamais vou usar. Nunca quis ir tão longe com isso. Eu lutei e resisti contra mim mesmo, mas quando se cria todo um imaginário repleto de detalhes coloridos, fica praticamente impossível desfazê-lo. Porquê não damos as mãos e fugimos por aí? Eu posso criar um plano perfeito, acredite.
Recuso-me a ser somente mais uma peça errada no meio dum “puzzle”. Ainda se eu fosse a peça final, que completasse a imagem e fizesse fazer sentido… Mas não, já não creio. Acredito em mim, e em trabalhar e em roubar. Toda a gente rouba, porque não eu?
Me diz porque não querer? Vamos marchar entre colinas e vales, com flechas e coroas com raros diamantes moldados no mais puro ouro, sobre nossas cabeças. Posso oferecer-lhe o meu escudo e a minha couraça que protege o meio peito.

Eu visualizo isso. E também navios a chegarem em teu nome exigindo o que lhe roubei. No entanto mantenho-me calmo. Frívolo. O que roubei é impossível devolver, porque nunca existiu. Apenas guarda-se e sofre-se, e ao ver a escuridão permanecer no luto onde crianças sem olhos choram, continuo lá. Mais assustador que isso é o trágico final, do qual não quero comparticipar.
É só fechar as pálpebras e sentir o quente abraço, enquanto a saliva seca desce pela garganta. Abraçaremos e estaremos tão juntos como se fossemos um só corpo e uma só alma, bem profundo. Se quiser, podemos selar, com um beijo carinhoso, esse compromisso imaginário.
Eu perdi o medo de me expressar. Não quero escrever ao invés disso, quero falar. Porque não pensar em amor? Permita-me sondar o teu coração e que eu vá buscar todas as respostas para as perguntas mudas. Quero ver ainda onde estou, e como está o meu lugar. Estará arrumado ou em desordem tal que já não se encontra qualquer resquício de sentimentalismo.
Será?
Vamos ver um filme idiota e comer pipocas queimadas, enquanto isso deixo que você me conte sobre os heróis que salvar-me-ão. Minha alma vai estar a cantar “lá-lá-lá”. Do lado de fora está frio, porque sair? Está escuro! Tire os seus óculos de sol e diga que está lá, que é um dia diferente, e fazer esquecer o que perdemos.
Prometo não tropeçar e não ser desajeitado, dessa minha maneira usual. Deixa-me viver e diz que isso vai ser para sempre. Eu nunca soube respirar, mas sempre escapei. Nunca hei-de desfocar a visão inicial da fonte e do caminho que traçamos. Essas memórias e esse inverno frio não me castigam mais. O tempo guarda os meus lábios em sangue.
Me diz como pensar em poesia, só te digo que sempre te quis bem, mais isso já não faz diferença.
Sou patético, reafirmo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Auto-retrato


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Fluxo de lágrimas


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"Black engulfs the dying light as he falls on frail wings of vanity and wax"

Tragicamente atingiu-se o fim. Sinto o frio doloroso invadir minha espinha, e lágrimas com sangue escorrem sobre o meu rosto. Mais uma vez, destruir tudo de novo, e afundar na minha própria pele onde tempestades impetuosas arrastaram tudo o que havia de sóbrio e imaginário. Antes havia o imaginário, restam-se apenas pó, deste, que um dia hei de retornar. 
Acaba esta noite.
Deixo-te ir.
Com mantos negros era fácil esconder-me de mim mesmo, até que já não havia a minha própria casa dentro de mim. 
Tudo imaginário.
Pelas minhas próprias conclusões, percebi que nada do que parece real é. Nada além de aparências, do investimento vão e tolo. Sadismo e hipocresia pairam sobre mim. É algo tenebroso, mau no seu sentido puro, na sua essência. Acho que tudo há um certo limite, e quando o atingimos, e atrevemo-nos a dar um passo a mais, apenas um, constata-se a grande podridão que escondia-se por detrás disso tudo. Relações, mentiras, interesses próprios... Repuganante.
Não consigo descrever o que sinto. São só palavras sem nexo que não conseguem completar esses versos mudos que escrevo. Levantei os meus olhos e ao contemplar o céu, anseei que ele fosse meu e desejei que o teu olhar pudesse me alcançar.
Talvez.
Não importa, já passou e mantenho-me vivo.
Sofrendo de vazio e de solidão. É complicado falar agora, o quanto quis tocar as estrelas...
Deveria isso tudo ser o mesmo? Peças quebradas não irão salvar o passado. Vão embora?
Só me sinto pasmo a ver como não consegui escapar pelas janelas do éden e saber agora que nada restou além de amargas ilusões.

Eu confesso, eu assusto a mim mesmo.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Heart Of Wax

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