domingo, 16 de novembro de 2008

Maldoror

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Chant sixième, strophe 10

"Celui-ci n’employa pas beaucoup de temps pour attacher les pieds de Mervyn à l’extrémité de la corde, Le rhinocéros avait appris ce qui allait arriver. Couvert de sueur, il apparut haletant, au coin de la rue Castiglione. Il n’eut même pas la satisfaction d’entreprendre le combat. L’individu, qui examinait les alentours du haut de la colonne, arma son revolver, visa avec soin et pressa la détente. [..] Mais nous savions que, dans ce pachyderme, s’était introduite la substance du Seigneur. Il se retira avec chagrin. [...] La fronde siffle dans l’espace; le corps de Mervyn la suit partout, toujours éloigné du centre par la force centrifuge, toujours gardant sa position mobile et équidistante, dans une circonférence aérienne, indépendante de la matière. "

Parte 1

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Entre a escuridão, abruptamente, ouviu-se um estrondo, seguido de vozes que falavam em outras línguas. Havia um pouco de claridade. Um feixe de luz, cordialmente, entrava no quarto escuro, pelas frestas da porta velha de madeira comida por cupins, permitindo, que as pupilas dilatadas, admirasse a ilusão das cores projectadas, dum pequeno prisma polido, segurado pelo senhor da casa.
O pequeno jovem, que ali encontrava-se, meio sentado e meio deitado, no canto direito do tal quarto, abraçando suas finas pernas e escondendo o seu rosto cheios de lágrimas nos seus joelhos, acordou, não percebendo, a sequência lógica deste sonho real. Ele não conseguia se recordar onde estivera anteriormente, de modo que, sentia que a sua existência não teve um início, apenas aproximava do fim. Quando lhe passava essas suposições pela cabeça, eis que repentinamente ouviu um agradável assobio de pardais, e devagar, entre o breu, rastejava-se receoso que alguém lhe pudesse ouvir, até uma dessas frestas. E viu um senhor de aparência singela, a assobiar. O rapaz logo percebeu que o homem, realmente conseguia falar a língua dos animais. Era coxo duma perna, de cabelos encaracolados como ondas bravias, e escuros como amêndoas assadas, tinha estatura baixa, pequenos olhos que, não se sabia se estavam abertos ou fechados, tão pouco a sua cor. Era bem magro, e a sua pele era semelhante a ameixas secas, bem enrugadas, por causa da idade avançada.
De repente, o garoto deixou-se cair no chão áspero, porque estava faminto e tinha sede, e nesse momento, o velho senhor aproximou-se, abriu a porta, e levantando-o pelos braços, disse:
-Bem vindo.
-Quem és? - Disse o garoto, assustado, enquanto se levantava.
- Sou um velho feiticeiro, que os dias já são longos. Quanto ao meu nome, um dia hás-de saber, porque o nome de um homem, é o tesouro mais valioso que ele possui. É sinónimo de vitalidade, e intimidade. Podes me chamar apenas de velho, Evan.
- Como sabes o meu nome? Como aqui vim parar?
- Fazes muitas perguntas. Para já, digo-te que é aqui que vais ficar, e sou o teu encarregado, deste lado.
-Que lado? - Respondeu Evan, franzindo as sobrancelhas.
Então, o velho não respondeu, apenas balançou levemente a cabeça, como um sinal de aprovação, e o rapaz foi tomado por um susto muito grande, e percebeu, o que o velho quis dizer. Do seu coração nasceu um grande temor, mas manteve-se calado por um longo tempo, tentando lembrar-se do que havia acontecido, entretanto, era incapaz, porque não havia memória alguma.

Flores aos rebeldes que falharam


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Théâtre tragique


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À Espera dos Bárbaros

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"O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de purpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Porque subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não ha mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução."

sábado, 15 de novembro de 2008

Sem título


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Volta o cavaleiro com sua espada embainhada em ouro na sua mão direita, e em um toque suave das esporas das suas botas, faz com que o seu alazão, imponentemente, demarque territórios nunca antes conquistados. É um grito mudo à vitória sobre aquele império em chamas.
Com o sol nas suas costas, e um chapéu de penas em sua cabeça, sente-se o frio húmido e delicado invadir suas narinas. Sua roupa é semelhante às que os deuses usam, parece um vestido comprido e sujo das batalhas. Na verdade, esboça-se ali, nos trapos velhos de uma vestimenta cansada, sangue e suor, de árduas conquistas e derrotas.

E ele vem, subindo os montes, e passeando com o seu cavalo atroz, sobre colinas de relva verde, com o vento nos seus cabelos, até chegar na praça principal, onde, sob o relinchar do animal e o grito da multidão, gozam do sabor da conquista. No entanto, subtilmente, ouvia-se um sussurrar muito breve de si mesmo. Toda a gente, em júbilo a beber do vinho novo, comportados em odres velhos, e a comer a carne rija dos alces da floresta, sem, ao menos, perceber, a razão festiva.
E sentia que, de si mesmo, não havia mais razão para comparticipar, porque ele tinha o coração cortado pelas espadas afiadas dos inimigos. A boca ria, mas a sua alma chorava.

Terra Dourada

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15 de Novembro - Proclamação da República do Brasil


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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Até à profundidade do Tempo



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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Manhã Islandesa


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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vento nos umbrais

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Ah a minha imaginação maldita que só esboça o rasgado! Hoje, bem-disposto, levantei-me às quatro da manhã, e me despi do fato da sujeira. Corro, corro, corro, e já não me despedaço, porque fez-se luz onde, outrora habitava trevas. Deixei de perseguir a mim mesmo e lancei por terra a fúria sobrecarregada, qual era, um fardo muito pesado de se carregar.
Nessas tentativas, de não me assustar comigo mesmo, consegui , ao fim desse combate interior, enxergar o reflexo de um jovem no espelho. Ainda levemente distorcida a imagem projectada, percebi que era eu, não tão feio, não tão desprovido de inteligência, nem incapaz, nem grotesco, nem tais adjectivos, que anteriormente, me auto-concebia.
Erra que julga-me, agora, como narcisista. Digo que apenas que já não abomino o corpo em que dividem espaço a minha alma e o meu espírito. Essencialmente, considero-me o velho come-ratos.
Os dias e o passado, não desprezar-me-ão novamente, antes, terei sempre um local de refúgio, para me relembrar das lágrimas derramadas e do cenário, que me é distante neste momento.
Tiraram dos meus olhos, as escamas que me cegavam, e claramente vejo o meu rosto na água que demonstra contentamento e uma mínima satisfação pessoal.
Foi a eterna busca de encontrar quem eu haveria de ser, que mostrou-me que o que sempre procurei, não era mais que um simples reflexo.
Tenho de regressar à casa, e ouvir o “pocotó” de éguas virgens a vaguearem pelo cambo, escutar a música dos pardais, sentir a brisa fresca da primavera e o sol morno que aquece-me o coração. É nessa simplicidade que regozijo-me.
Quando Margot me vier questionar acerca das coisas belas e puras da vida, é exactamente a respeito disso que lhe falarei, e ainda sim, do amor em abundância dos deuses, que hei-de murmurar suavemente em seus ouvidos, para que também a sua falsa situação, converta-se em um repouso consequente. E direi: “Aquieta a tua alma, oh mulher bendita! Gozas do bucolismo que está à tua volta de ti e que não vês! Meditas no teu espírito e olhas com olhos de amor para ti!”
Os meus versos desvairados são perfeitamente expressivos para mim. Digo que, apenas possuo uma facilidade proveitosa (?), para transpor cânticos de coisas imediatas.
Sinto, agora, que , posso ganhar a vida, tendo em mim coisas fortes e duradouras, e escrevendo uns bocados de memórias futuras.


All That Remains - This Calling

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Un Chien Andalou


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COMPLEXO DE CASTRAÇÃO

domingo, 9 de novembro de 2008

Ítaca


"Se uma dia partires rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás-de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se a tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás-de entrar pela primeira vez num porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda espécie,
quando houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina,
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho, enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que Ìtaca significa."

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sábado, 8 de novembro de 2008

Maria do Caralho

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Sonhos

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Sempre me pergunto quando este tormento irá acabar, porque as minhas mãos já não alcançam a porta de saída. Não consigo mais abortar, apenas continuo nesse pesadelo sem fim.
Oiço sobre os mais belos sonhos de princesas com os seus galardões, e não compreendo a razão de aberrações e honras sem cabeças, insistirem em fazer parte do meu inconsciente.
Tudo parece um circo de horrores, onde faces sem maquilhagem e pessoas sem amor-próprio me rodeiam. Será o purgatório pior que isso? Minha caneta e minhas palavras tendem a exprimir o lado mais negro da poesia. Tenho visões grotescas de intestinos sob a mesa de jantar onde crianças sem braços comem directamente com a boca, fazendo uma pintura surreal do apocalipse.

Quero ler entre as linhas e poder falar nesta língua estrangeira, e beijar teus lábios enquanto a banda toca. Há quem diga que isso fica imortalizado.
Os meus braços seguram estas janelas, donde posso ver a felicidade acenando um adeus. As sombras dos deuses e reis não são mais um lugar seguro, porque eles também se foram.
Talvez se eu não olhasse tanto para trás, fosse capas de atravessar paredes e mesmo todas essas frases, e curar-me de todo vício de querer respostas de todas as perguntas.
Deixa-me sentar à mesa hoje contigo e tomar sopa quente. Vamos encenar algo que na teoria funciona. Eu sei dramatizar, e posso pedir complacentemente pela sobremesa.
É esse vazio sem fim e esse fracasso que me fazem precisar de mais que um sorriso incapaz, e flores no meu funeral.
Sintoniza-te na minha frequência, e esqueça a comida que sabe a câncer, e por fim, enxugue os meus olhos cansados de sangrar.


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Outono


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Comecei, hoje, o meu dia com um gole de café forte para tirar o gosto do fel degustei por toda a vida. Vi meu reflexo sombrio na chávena que tinha uma asa partida, e percebi que eu estou tão consumido por essa dor. Mas essa fumaça fria que é exalada, lembra os gritos falsos e o seu eco que o seu coração exprimiu.

Agora hei-de regressar ao meu palácio da decadência, onde sob um céu de nuvens baixas que anunciam lágrimas ao invés de chuva. Cada simples gota irá o encontrar e perguntar se irás perdoar os crimes passionais, mas seus lábios finos se congelarão e serás incapaz de proferir uma palavra, apenas voltarás para beijar sua rainha, não a mim.
Só de pensar que não vai ficar sequer assustado, ou surpreso por eu não mais estar aqui, nem para dizer as últimas três palavras que eu tinha para dizer. Eu escrevi o bastante para te dizer que nas trevas, a luz brilhou, mas sua visão cega não viu, apenas desejaste ter um sorriso eterno.
Levaste o meu fôlego, e eu fiquei aqui nesse vazio escuro preso nessas mentiras, onde eu tinha de fechar os olhos para conseguir enxergar a tua face. Mas, eu digo que não hei-de beijar os teus lábios novamente.
Meus olhos de prata contam histórias de heróis que tiveram de pagar os seus pecados com o próprio sangue. Era suposto ser bem claro, mas eu só posso ser isso. Apenas vejo o medo brotar do chão seco, como agora mesmo. São apenas diferentes traços de ficção, até o anjo silencioso que lembrava-me do tempo perdido.
Podes por favor, tentar dizer cuidadosamente que não mais precisas de mim? Eu não sou o teu troféu que se perdeu. Tua verdade é uma decepção que se traduz em veneno para me matar, e tua tuas palavras vazias, agora desenham frágeis sussurros.
Eu vi-te a roubar os meus pensamentos, mas eu não fico surpreso em assistir sua piedade, porque eu também roubei de mim, toda a esperança . Fico eu e os fantasmas que irão rezar pelo filho do rei por toda essa fraqueza, e ao luar da meia-noite, ouvirei canções de quartos mal-assombrados.
Sob as colunas caídas, nossas ruínas lutarão em histeria até que toda majestade e beleza exterior sejam queimadas. Pelo menos nós dois cairemos desta vez. Eu não deveria ter morrido por ti, ao invés, poderia ter continuado a pensar numa maneira de escapar e viver entre a razão e a loucura. Mas acabei sendo quebrado pela vingança.
És mau como Nero, o imperador de Roma, tal como, vais cantar e tocar lira ao me ver queimar por dentro. Poderias acabar isso com um final feliz e suicidar-te em seguida.
Os meus olhos vêem silhuetas de anjos a dançarem sob ruas de ouro. E tu não estás lá. É sabido.
Esse é o Outono nos meus sonhos.


O que está rolando no Orkut...

O ORKUT, segundo a Wikipédia, é uma rede social filiada ao Google, criada em 19 de Janeiro de 2004 com o objetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. Seu nome é originado no projetista chefe, Orkut Büyükkokten, engenheiro turco do Google. Tais sistemas, como esse adotado pelo projetista, também são chamados de rede social. É a rede social com maior participação de brasileiros, com mais de 23 milhões de usuários.


(...)

Bonito na teoria não é?... Mas, comunidade estranha nesse orkut é o que há, por exemplo essa
que vi hoje. O Nome da comunidade é "Dou o cu mas é só pra zuar!". Por aí já se vê o nivel dos 3945 membros. Esse meninos estão tão precoces hoje em dia... Eu fui desvirginada só quando era maior de idade, já tinha 18 anos completos, e claro uma namorada. Aquela nojenta. Urghhh...Bom esta é história para outro dia...

Vamos ver aqui só um mero exemplo:










quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bring Me The Horizon - The Comedown

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Turbulência

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O silêncio absurdo é quebrado pelo seu narcisismo idiota, e já não sei se ainda restou algo aqui. Os meus olhos vêem tudo tão distante, e contemplo o eterno e o vazio com o meu cigarro barato e uma dose de wisky. Esse mel que me é agradável na garganta, e com vozes roucas brigo contigo porque estou exausto, e não consigo chegar em casa antes do anoitecer. Mesmo os travesseiros de algodão macio não mais me deixam sonhar em paz, nem me fazem mais voar às estrelas. 
Ofereça-me um jantar hoje a noite para que brindemos sobre coisas que não vamos fazer, assim eu não iludir-me-ei mais, e finalmente perceberei que algumas coisas não vão mudar, e o “nem quem seja outro dia” vai existir.
Eu que sempre guardei os meus dias, fico sem chão onde pisar, porque estavam cheios de bolor. Tento negar a fumaça que se dispersa no ar, avisando que o meu sentimento mor, fumegou. 
Sei que não consigo recuperar os cintilantes sorrisos nem os faiscantes olhares, entretanto guardo aqui aquela foto que foi tirada no crepúsculo do verão, talvez não se recorde. Tudo bem, agora, apagas o fogo e fechas a porta ao sair, porque vou continuar aqui a contemplar a minha luxúria e ver um filme antigo e cabeças degoladas.
Prometo que hoje não vou ter pesadelos quando dormir, isso porque já me habituei ao sangue que escorre, e as mortes comuns que me cercam. Prometi não voltar e não vou, já me levantei para ver o dia anoitecer. Nada mais vai me machucar, mesmo sem saber porque, só que eu já tirei esse desgosto do meu coração e não vou dar sorrisos hipócritas quando me disserem que o garoto tem que morrer.
Quem me disse, amor, que os jovens têm pálpebras abertas e flechas em suas mãos? Talvez fosse um desejo inatingível. É tolice e débil crer assim. O mundo não merece o nosso bom pecado e nossa paixão idiota. É minha culpa, mas é tudo tão bom, e isso equilibra a balança entre o bem e o mal.
Sabe, já não há como conseguir parar isso, nem como consertar os erros, deixamos ir muito longe, todavia, se eu for muito pesado de se carregar, podes me deixar aqui, eu fico esperando o teu retorno improvável. Melhor repartir comigo mesmo o meu medo de dizer o que mais me fere e o que eu mais odeio em ti, é tão aliviante. Me aquieta a alma.
Vou provar que a minha carne dilacerada foi entregue como oferenda ao Satã, e o meu rosto que foi desfigurado e enterrado sem o meu corpo, porque ele é sádico. E poder gritar onde está o capitão, e dizer que não foi mais um delírio do meu lado sonhador.
Não sei mais o meu destino, porque, está a minha vida, em colapso. 

domingo, 2 de novembro de 2008

Melhor assim


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Agora estou morando longe das lembranças que tanto quis esquecer. Talvez eu pudesse ser possuidor duma máquina do tempo, e mudar a hora, o lugar e o momento em que tudo se desregulou em mim.
Até quando hei-de ficar aqui estagnado, sem ter qualquer reacção humana plausível? Quando hei-de prosseguir e levantar do chão e pegando os cacos sacudindo a poeira? Acho que isso nunca vai funcionar, porque eu nunca falo o que tenho de dizer. Tenho, seguramente, de me habituar à essa sina maldita.
Quanto mais eu esperei, menos encontrei. Só reencontrei a marca das duas lágrimas que me caíram do meu olho direito. É sinal de que pelo menos alguém chorou isso. Não é tempo de falar, mas sim de luto.
Virá a bonança depois desse manto negro que nos encobre? Eis a questão.

Fresno - Polo

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Se eu te disser que foi difícil te esquecer
Seria o mesmo que dizer não sou capaz
De me curar das surras que o mundo me dá,
de prosseguir deixar o que passou pra trás

Eu devo desistir pra um dia ser feliz?
Ou devo resistir? Eu devo insistir?

Cantando e mais do que isso gritando
E às vezes até confessando que eu não sei amar
Pois sabendo, eu não estaria sofrendo
E ainda por cima escrevendo, ao invés de falar

Será que alguém já te fez chorar (Te fez chorar)
Mesmo sem ter proferido uma palavra?
E o que você fez? tentou lutar? (Tentou lutar)
Ou compôs uma canção indo pra casa

Eu devo desistir pra um dia ser feliz?
Ou devo resistir? (Não, não eu não vou desistir assim!)
Ou devo insistir? (Não, não eu não vou desistir!)

Cantando e mais do que isso gritando
E às vezes até confessando que eu não sei amar
Pois sabendo, eu não estaria sofrendo
E ainda por cima escrevendo, ao invés de falar

(Não, não eu não vou desistir assim) (3x)
Cantando e mais do que isso gritando
E às vezes até confessando que eu não sei amar
(Não, não eu não vou desistir assim) (3x)
Pois sabendo, eu não estaria sofrendo
E ainda por cima escrevendo, ao invés de falar

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Exordium

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Esse é o som da verdade, que assiste-o enquanto jaz no sono da morte. Ponha-se de joelhos, nessas escadas rotas de madeira sem brilho, e puna-se com chicotes duros de couro de boi. Voltemos ao tempo da Lei, e criemos contendas entre nos nossos irmãos e aqueles que difamam a nossa família.
Vinde vós que perecem nessas ruas frias, e que comem dos restos da burguesia egoísta. Sentem-vos comodamente nesse sofá rasgado e assista a esse filme sem final.
Esta estabilidade frágil que me assola, fará em breve de mim, um mero serviçal e por fim, ficarei aqui nessa relva morta, com o meu corpo coberto de folhas secas do Outono.
O prelúdio do inverno.
As minhas palavras conflitam, e não é proposital, logo sempre desejei possuir uma ritmalidade própria que pudesse tocar os corações gelados.
Sabe querido, é complicado agir de outra maneira quando só se pensa em poesia e valsa.
Qual comboio apanhar?

sábado, 25 de outubro de 2008

Tempus fugit


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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pérolas do Orkut









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Não sabe o que é ORKUT?!?! Joga no Google, okay?!



Prelúdio à morte de um guerreiro sem escudo

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E foi aqui que vim parar, nesse quarto sem janelas nem portas. Permaneço aqui, inerte, com minhas pupilas dilatadas, mal lendo esses meus livros inacabados, apenas com uma  pequena fresta no telhado, com um único raio de sol, consigo ler palavra por palavra.
Ontem me embriaguei sozinho, como sempre. Graças ao Satanás (!) há bebida com fartura nessa casa. Digo que não houve o dia, logo, acredito que, um dia é frutífero para mim, ao passo que, eu consiga aprender qualquer coisa. Talvez ontem eu tenha desaprendido. Nem forças suficientes para colocar o meu cérebro para funcionar tive, ao contrário, canalizava toda a minha motricidade a cada ingerir da doce porção maligna.
Subitamente fui intrometido de uma grande insurreição. Tive repugnância do meu corpo e da minha própria pele, a minha saliva amarga era deglutida dolorosamente, antes disso, preferiria o vómito de uma vagabunda com tuberculose. Queria ceifar-me, entretanto, como já tentei antes, não passou como um mero pensamento, talvez uma visão do céu inatingível por enquanto.
Por vinte e dois anos, tenho arrastado esse corpo vadio de terra em terra. Talvez eu deve-se vendê-lo à algum sadomasoquista psicótico descompensado, assim eu teria prazer em ver cada dilaceração da minha carne, a destruição física de mim mesmo. E poder ouvir, não o sangue escorrer, mas, quebrar-se ao meu redor.
Nada além da desgraça que me rodeia, seria pior.
Anseio o fim.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ponto.

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"Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. - E vi que era amarga. - E injuriei-a."
Jean-Arthur Rimbaud

Insípida despedida

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A pequena lagarta, encobre-se no seu casulo, construído por si mesma, e fica em estado de repouso até que são geradas as suas coloridas asas, assim, rompe-se o tecido invólucro e finalmente pode voar. Aparentemente ela cria o seu próprio túmulo e enterra-se, mas afinal, resplandece-se ilustremente. Lamenta-se que nem sempre desfrutamos desse final feliz. 
Por acaso, não mais recebo essas rosas desbotadas para me fazer ser mais maleável em relação a ti.
Espero que a sombra da justiça possa engolir-te e provar do teu próprio veneno. Deguste da tua derrota, faz-te um moribundo e solte gritos mudos. Ninguém te ouvirá. Assim espero.
Só anseio ficar a assistir toda a tua tragédia.
Me habituei às tuas desventuras, e não quero esperar por mais uma noite, porque eu sei que as lágrimas vêm ao cair do sol. Ser-me-á dado algum galardão por toda essa infindável luta?
Certamente não, todavia, era simpático me responderes, apenas, todas essas perguntas.
O “para sempre” se foi.
Não quero tua compaixão, porque odeio a tua falsa piedade, tão-pouco o teu fétido beijo de despedida. Antes prefiro regozijar-me nas minhas miseráveis folias e desprazeres. 
Não me faças comparticipar desse infame companheirismo.
Despendi demasiado tempo contigo, e percebi, finalmente que o sol não brilha tanto assim.
Pegue as tuas malas que eu deixei atrás da porta, e foges para bem longe. Não me mandes cartas de amor, porque nunca as recebi.
Permita-me que eu me deixe envenenar com essas flores tóxicas e morra ao som dos gritos de prazer. Quero sentir essa porção maligna corroer cada célula viva que possuo, ver a minha visão embaciar até atingir a total escuridão tão desejada. Não farei falta a ninguém.
Não tenho mais palavras, agora reduzo-me ao pó e com lágrimas viro lama suja.

sábado, 18 de outubro de 2008

Bandinha do chaves em TTDTE cover

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Belezinha com vocês crianças?
Então, para relembrar velhos tempos de infância idiota e misturando com um pouco de Metal, fiz esse vídeo.

Pra quem tem curiosidade de ver como é o vídeo original, onde o Quico toca "A Dança das Horas de Tchaikovsky", vai aqui:

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Coitado do Daffyd ter de viver no meio dessas bichas-pão-com-ovo

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Mon cabaret rouge.

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Onde estão os punhais de ódio? Aquelas mãos amigas lançam o coração dos tolos na fogueira e fazem arder como bruxas numa noite sem fim. Da cidade vazia, ouve-se gritos de desespero vindos das frias florestas que guardam este vilarejo.
A agonia nos apanha.
Um povo falido, com vidas destroçadas, mumificam os seus restos mortais nessa promessa desconhecida, reservada ao silêncio.
Sim, é trágico o exército de indigentes, que vinga essa multidão suja. Eles não conhecem a própria casa, apenas vivem como andarilhos, semeando discórdia e o amor vagabundo que sentem. É nisso em que se comprazem.
Não há aqui inocentes. As orgias alimentam cada alma vazia, entoam com vozes desentoadas, mórbidos cânticos ao senhor dos senhores. O mesmo que dizer: cada um venera o seu próprio eu. Terra de gente hipócrita e louca, comem toda essa refeição sem pensar no inverno que logo chega. São imundas e da sua fala, escuta-se algo semelhante aos latidos de cães sem dono.
Nunca houve verdade neles.
Eu nunca fui desta gente, mas entre o meio deles, vivi. Todavia, não sei se é essa a palavra, ideal. Creio que “protagonizei”, encaixa-se melhor nessa sentença. Nunca fui compreendido. Serei porventura poupado da ira de Deus?
Ó Senhor! Tende misericórdia dessa pobre alma que perece! Suplico pela tua atenção! Ouve o meu clamor!
Não é um deboche… Digo que sou apenas um ”come-ratos” de roupas velhas. Considero-me mais vagabunda que todas as putas de Sodoma e Gomorra em actos sexuais, ilícitos ao olhos do “começo e o fim”, juntas.
Sempre que me convém, obviamente.

(…)

Ai essa minha característica endiabrada!...
Adoro-me. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dissabor

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Malditas penas do inferno! Danados vinde até mim, e meu querido Satã contemple este sol que cega os meus olhos. Hoje transpiro sangue e respiro fumo negro. Tenho ódio nas minhas entranhas. Desejo a tua condenação. Porque insiste em me fazer sofrer?
És um ser desprezível, desprovido de sentimentos benévolos. Despertaste-me do sono da ira que eu jazia. Os campos floridos foram esmagados com os teus pés. Os meus sonhos, destroçados com a tua deteriorada realidade. O amor agora converte-se em fúria impetuosa. Nasceu do meu coração o desejo de vingança.
 Quando tive sede não me deste da tua água. Não me alimentaste, nem cuidaste de mim.
Descompensei-me e não há regresso.
As minhas suposições em torno da minha própria loucura, tornam-se verídicas neste momento psicopata. Não faz qualquer sentido acreditar em qualquer palavra que seje proferida da tua nojenta boca. Suas palavras são como facas afiadas, e quando lançadas perfuram o meu coração, fazendo morrer toda a vida. É este o teu prazer? Ver-me subordinado a ti? Não sou uma marionete com quem brincas. Não me tomes por parvo, porque não o sou. Nem zombes da minha aparência.
Desaparece-te da minha frente, ó inconveniente infortúnio! Iludiste-me e fizeste-me de tolo todo esse tempo. Desperdicei a minha juventude e os bons sentimentos. Quão grande é o meu descontentamento. Em parte fui errado, porque acreditei. O homem não deve confiar sequer na própria sombra, tãopouco em outro homem.
Habito nesta casa de angústia por não ter construído um sólido refúgio. Encontro-me nú. Que fazer? Recolho com os meus pulsos cortados, cada pedaço de mim que ficou estilhaçado nesse chão sem fundo. Dispenso-te com desprezo. Inutilizo os teus planos e te dou um último beijo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Complacentes actos de um amor falhado

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A quente alvorada, que anuncia o início dum ciclo infindável, as imensuráveis constelações, reflectem em pouco mais que uma alternância entre zero e um.
Outrora acreditava-se ser tudo muito real e aprazível, todavia têm-se tornado em ruínas a cada passo dado. Esvaece-se o puro sentimento primário, e ao lugar disso, transforma-se em algo meramente frio e conveniente. A monotonia e a falta de apego, separam a amada do seu noivo. Vivem hoje dias de lamentações, baseando-se em acontecimentos que nunca existiram.
No coração dela, canta-se música antiga e exala-se raros e sensíveis perfumes. Possui um beijo de amor, é carinhoso o seu afago. Do suave toque dos teus dedos, transmite-se serenidade. Cada gesto, cada sussurro, cada respirar sem fôlego, irradia-se a nobreza de um notório sentimento, que se é impossível exprimir com exactidão.
A alma dele é cinzenta e abatida como os velhos combatentes do tempo de Narmer. Sentia-se como os que vivem em caos, onde aquela falsa e mecânica paixão estaria prestes a rebentar num estrondoso e dolorido fumo.
Os céus se fecham e anunciam que as visões e as profecias cumprir-se-ão dentro de pouco tempo. Está em acção o tépido combate espiritual.
Nada tornará a ser como era dantes.
Como chegaram a isso?

Atendendo a milhares de pedidos: Marli em "Ladra de Namorados"

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Head bangers na igreja

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Episódios

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A minha infância foi marcada pelo desprezo, simultaneamente a isso, a inocência, que deixaram cicatrizes que jamais esvaecerão. Essa inocência tola gera em minha personalidade uma característica tola, um defeito, talvez. O meu nada traduz-se em tudo. Lembro-me de despender grande parte do meu tempo à brincar às escondidas. Mas viria eu, saber, anos depois, que andava a esconder de mim mesmo. Outra história…
De resto, não havia essa traça que hoje corrói as minhas roupas e essa peste que destrói as minhas esperanças. Sou suspeito em dizer, logo sempre vivi num mundo paralelo, esse que continuo a insistir na sua criação. Lembro-me ter sempre sonhar intensamente, e neles via bouleverds do mais transparente e polido cristal, onde que de lá eu tinha uma visão de um ambiente com pedras de fogo e papéis de parede desbotados. À princípio, e talvez ainda hoje, não perceba o seu significado. Nem quis traduzir. Fazia-me impressão quão sombrio e quão mau aspecto possuía. Em suma, era feio e desagradável. Nenhum ser minimamente humano consentiria em permanecer naquele lugar inapto à vida.
Era comum o meu fechar de olhos, e fugir à encenação. Entretanto, subitamente intrometia-me uma profunda amargura sem racional explicação. Algo dolorido que esteve a me atormentar por anos. Sempre os mesmos velhos fantasmas arrastando suas pesadas e enferrujadas correntes, com vozes que lembravam o sussurrar do vento, tentando compulsivamente a acorrentar-me ao meu passado que tanto repugnei. Penso, algumas vezes, se porventura seria algo consentido pelo meu inconsciente, logo, hoje, concluo pelos demasiados lapsos e “acidentes-propositais-inconscientes” que vêm tomando força com o passar das primaveras. Arranquei os meus ouvidos para não escutar as insinuações com ar do inferno contra mim, fiquei ainda cego para não enxergar os dedos em minha direcção e a danação eterna. A minha alma, bem, essa nunca, e infelizmente não consegui mutilá-la.
Será que fui errado todo o tempo?
Ai aquela risada estúpida!... Coitadinho do inocente que ele se tornava! Era um belo papel, bom actor coadjuvante em sua desprezível passagem pela minha vida. Ó como te odeio criatura infame! Quantas vezes eu senti-me estiraçado na lama, como se eu fosse a mais vil das criaturas... Alguém que fosse indigno de respirar esse ar que “Deus “ concede.
Sofri calado, tal e qual as vacas que vão inocentemente para o matadouro, até que chega a hora em que tudo acontece e elas berram. Acho que posso igualar-me. Era assim que eu agia. Porém não gritava com a garganta, mas sim com o meu rancor que penetrava o meu peito. Gritava para que eu acordasse do profundo sono e quebrasse aquele maldito feitiço lançado em mim.
Renunciei ao meu próprio querer, quebrei os espelhos e vomitei aquela porção de veneno antes que me chegasse às artérias. Esfarelei-me até virar pó e renasci como a Fénix renasce das cinzas. Hoje ergo-me. Já não ouço nada, apenas a minha mansa loucura. Vejo-me fronte à essa realidade, mesmo muito imperfeita e desgraçada para a minha personalidade, rumo.
Não estou morto.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cântico Nocturno.

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Aquelas máscaras de barro sujo que expressaram toda a essência da nobreza de corpos sem preço, partiram-se e aniquilaram essa comédia. Talvez não me tenham visto, logo os olhos estavam cegos por grossas escamas.
Já fui cristão. Hoje não. Agora as portas altas dos umbrais escuros estão abertas e tenho livre acesso. Vivo em impacientes dias, aguardando desta (miserável) vida, respostas. Enquanto isso, retalho o meu corpo e faço das cicatrizes uma pintura sedutora. Sou alvo fácil de ratoeiras gigantes e armadilhas. Envenenaram-me com o doce veneno para ratos e partira-me. Sinto-me como um cristal quebrado, que jamais se cola. Estou em luto e deixo aqui o meu memorial falho, num acto de auto-comiseração com odor a suaves ervas vestido num fato azul-cinzento.
O braço do mar e a multidão de fantasmas com vozes agudas, femininas e distorcidas, vulcanizaram o meu tormento, em meio aos jardins formais e entre belas gardénias. Oiço o sussurrar do vento, e com ele vem uma espécie de abismo carbonizado, com corpos putrefactos e na sua extremidade muito sangue coagulado.
E eu a chamá-lo.
Todas aquelas tardes de êxtase repletas de superstições, que a vida esboçou na areia, as ondas do mar desfizeram-nas em meros ínfimos grãos nada notórios. Esses corpos, esse tédio e esse amor celebram hoje sentimentos lassos.
Isso é uma prova do que sonhei, e aprecio agora, como escritor e poeta, e deixo aqui nessas odiosas folhas do meu caderno velho e rasgado esses relatos.
Quem vai agora me levar para brincar com os pássaros? Quem vai me enxugar as lágrimas e fazer cessar o meu pranto? Talvez a música, e os velhos poemas, e os rostos belos, e ainda o crepúsculo púrpura em dia frio de primavera. Sou muito sensível. Quero ouvir o som alastrando-se pela minh’alma e preenchendo todo o vazio que impera no meu consciente. Quero beber vinho e alegrar-me em espírito e acabar com esse desgosto idiota. Deixa-me que me embriague. Tragam-me absinto e “whiskey” velho, para que, mesmo que por pequenos instantes, eu consiga desfigurar os meus pensamentos.
Ai se me vingasse!
Com toda minha cólera, reclusa no calabouço do meu coração! E fizesse sofrer os escarnecedores, e os incrédulos de todas as espécies, fazendo com que se mordessem e deixassem-nos morrer
 entre o passar das quatro estações.
Ai de ti, saloio!
A graciosa glória de um artista desconhecido é como o vento da manhã, subtil. Hei-de ser retirado do poço para que eu veja todos os meus inimigos prostrados perante a mim, com o rosto no chão. Será um dia célebre.
As vossas mulheres, os vossos maridos e filhos, espantar-se-ão ao ver o seu próprio desprezo ser consumido pelo fogo. E isso me elevará! Pois sou egoísta e espinhoso de mais para arremeter qualquer puro olhar cativante. Vomite-me da tua boca ó Deus! Vomite-me porque sou morno e repugnante! Das duas extremidades da vida e dos meus dois hemisférios, do meu mais íntimo ser, entoo satânicos louvores.
Apenas ostento ruínas.
É mesmo assim… A vida inerte e desgastante. Por não me mover, sinto frio nos pés.
Esta paisagem imunda ao serviço da hipocrisia e da mais descarada mentira fala da morte, do fim. É agora apenas ver as chamas consumirem esses restos mortais que aqui jazem. Incrivelmente passou-se o tempo. E passou-se desapercebido… Entretanto, já penso ser demasiadamente tardio agir, sequer proferir qualquer palavra desagradável (como usual).
Ó meu demónio, vem e me possui! Me ilude com a sua magia e o seu romance violento! Assim poderei dizer adeus, e digo, porque já cessaram os aplausos, que pertenciam à outrora. Hoje, o amargo gosto do fel, será sentido por cada garganta sem sangue.
Os ilustres personagens desse império, nada mais são que o podre pó das sepulturas abertas, e que nada podem fazer, a não ser sentarem-se e encenar nesse filme mal dirigido.
A minha ingenuidade, está em dor. Com efeito, está a destruir tudo de novo. E logo virá o inverno, e com ele tempestades impetuosas, que, certamente, arrastarão tudo, principalmente, aquilo onde com os nossos esforços construímos.
Resta-me apenas o meu fantástico mundo, com as minhas ideias, e sempre sim, essa caneta sem tinta e frases tortas que aqui escrevo.
Foram essas, apenas, todas as minhas independentes tentativas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Folhas secretas

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São nessas folhas secas de papel áspero, que tenho registado minhas memórias. Não sei o porque dessas escritas, logo, são frases sem rima que jamais vou usar. Nunca quis ir tão longe com isso. Eu lutei e resisti contra mim mesmo, mas quando se cria todo um imaginário repleto de detalhes coloridos, fica praticamente impossível desfazê-lo. Porquê não damos as mãos e fugimos por aí? Eu posso criar um plano perfeito, acredite.
Recuso-me a ser somente mais uma peça errada no meio dum “puzzle”. Ainda se eu fosse a peça final, que completasse a imagem e fizesse fazer sentido… Mas não, já não creio. Acredito em mim, e em trabalhar e em roubar. Toda a gente rouba, porque não eu?
Me diz porque não querer? Vamos marchar entre colinas e vales, com flechas e coroas com raros diamantes moldados no mais puro ouro, sobre nossas cabeças. Posso oferecer-lhe o meu escudo e a minha couraça que protege o meio peito.

Eu visualizo isso. E também navios a chegarem em teu nome exigindo o que lhe roubei. No entanto mantenho-me calmo. Frívolo. O que roubei é impossível devolver, porque nunca existiu. Apenas guarda-se e sofre-se, e ao ver a escuridão permanecer no luto onde crianças sem olhos choram, continuo lá. Mais assustador que isso é o trágico final, do qual não quero comparticipar.
É só fechar as pálpebras e sentir o quente abraço, enquanto a saliva seca desce pela garganta. Abraçaremos e estaremos tão juntos como se fossemos um só corpo e uma só alma, bem profundo. Se quiser, podemos selar, com um beijo carinhoso, esse compromisso imaginário.
Eu perdi o medo de me expressar. Não quero escrever ao invés disso, quero falar. Porque não pensar em amor? Permita-me sondar o teu coração e que eu vá buscar todas as respostas para as perguntas mudas. Quero ver ainda onde estou, e como está o meu lugar. Estará arrumado ou em desordem tal que já não se encontra qualquer resquício de sentimentalismo.
Será?
Vamos ver um filme idiota e comer pipocas queimadas, enquanto isso deixo que você me conte sobre os heróis que salvar-me-ão. Minha alma vai estar a cantar “lá-lá-lá”. Do lado de fora está frio, porque sair? Está escuro! Tire os seus óculos de sol e diga que está lá, que é um dia diferente, e fazer esquecer o que perdemos.
Prometo não tropeçar e não ser desajeitado, dessa minha maneira usual. Deixa-me viver e diz que isso vai ser para sempre. Eu nunca soube respirar, mas sempre escapei. Nunca hei-de desfocar a visão inicial da fonte e do caminho que traçamos. Essas memórias e esse inverno frio não me castigam mais. O tempo guarda os meus lábios em sangue.
Me diz como pensar em poesia, só te digo que sempre te quis bem, mais isso já não faz diferença.
Sou patético, reafirmo.

sábado, 4 de outubro de 2008

Dor e Glória

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Com gosto de câncer e lágrimas de sangue viu-se um reino ruir, mas isso não implicou no último adeus.
Eu, o demónio em tua casa, cantando louvores sobriamente. A cada passo, a cada respirar sentia o frio que queimava a espinha. Era contraditório, tudo enraizado de maneira errónea.
Perdemos muito tempo, mas sempre me fiz de desentendido. Comprazemo-nos em nossas mentiras e na alusão ao bosque perfeito.
Hoje cantamos a nossa vitória sobre todos esses corpos. 
A alegria reina! (?)
Quando a chuva cair vou cantar para você aquela música que fiz mas que nunca quis mostrar, por ter o constante receio de que não goste, talvez por ser cliché demais. Eu guardo um baú, ele é pesado de se carregar. Grandes fechaduras para o proteger. É áspero, e faltam algumas cores, mas é nele que se está guardado o íntimo dos íntimos dos tesouros. Não ouro, nem jaspe, mas de coisas que se não vêem e que são inefáveis, apenas sentem-se e sentem-se profundo, digo-lhe já.
Gostava eu, de morar numa casa no alto duma colina, onde pudesse ver o mar pela manhã e o crepúsculo à tardinha. Onde pudesse colher flores acabadas de nascer e colocá-las em um bonito jarro de cristal para que não morressem, assim alegrava o ambiente, trazendo vida e uma fragrância subtil, dessa maneira poderia ainda esperá-lo para que comêssemos juntos, mesmo que isso se tornasse regular. Quero também mirra e aconchegantes almofadas para recostar-nos.
Acho que você não se agradaria. Seria entediante demais.
Onde você gostaria de estar?
Aquela música eu poderia mudá-la, quem sabe poderia tocar no rádio, entretanto é mal pensas que nunca soará uma melodia agradável aos seus ouvidos. Talvez um dia eu passe por você e me veja sorrindo, nem sei porque.
Aprecio as coisas espontâneas e puras. Gosto da natureza no seu estado bruto, talvez sem o ser humano, respirar-se-ia melhor.
O meu imaginário é infinito.
Me acompanha numa xícara de chá?


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Flores ao fim deste Império.

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E o que fazer se não há eternidade? E o que fazer se as suas asas frágeis são incapazes de o fazer voar? Eu minto para você meu único amor.
Isso é porque eu passo o tempo todo a sonhar em meus sonhos, mas essa é a minha mentira constante, um grande vazio uma frequência sem sinal, um ruído rosa. É um sacrifício dizer uma verdade. Penso que nunca disse uma sequer. 
As lágrimas descem pelo meu rosto abaixo, mas eu não me comovo. Apenas funciono como um robô, sem sentimentos, apenas pré-moldado e produzido para chorar. Essa é a minha função. Tenho mobilidade reduzida, apenas vejo a vida escorrer através das janelas e das portas frias que levam o meu fôlego.
Sou uma ilusão e  nada do que se vê é real. 
Sou  uma farsa. Um “bluff”.
Tenho em minha consistência física traços físicos e habituais de uma pessoa patética e ordinária que vive num picadeiro onde sou o palhaço principal. Seriam apenas pensamentos sem fundamento só uma auto-mutilação e uma forma de humilhar-me? 
Penso que penso, mas como não penso, logo não existo.
Minha imagem reflecte a sombra da morte, com sua foice perambulando a noite adentro, tenho o falar desagradável e o meu cantar é semelhante ao uivo dos lobo prestes a atacar cordeiros.
Mas eu minto para você, meu único amor.
Ouço a todo o momento os meus próprios lamentos, milhares deles que se aproximam cada vez mais causando uma tempestade impetuosa na minha mente e no meu coração. 
Vivo num luto eterno onde sempre me quebro em dois, e cada pedaço de mim morre bem à sua frente. Quero morrer antes que você morra, e que leve flores ao meu túmulo. 
Talvez isso se torne uma pintura.
A primeira, das minhas três tentações.
Congratulações, eu te odeio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem disse que felicidade não se compra?


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