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sábado, 18 de julho de 2015

Plutão e Caronte, na aurora extinta da sua fronteira funda (Αποκάλυψη του Ιωάννη)


Heart of Wax


"Jaz Plutão na fronteira de uma luz extinta. Em seu redor, obscuro Caronte, gravita-lhe a pesada lua de um planeta de sombras. Dura-lhe o dia mais do que o ano, as trevas, mais do que a noite, e, em Plutão, o silêncio nem sequer agora finda. Subterrâneos, lhe são os deuses, e avessos quaisquer destinos. Nele, mais do que crepusculares, coisas poucas reconhecemos, que ora nos façam ansiar ver para além de tais profundidades, pois, um dia, os astros tornarão a conjugar-se numa mesma forma simples, onde tudo será similar, e João voltará a sentar-se, em Patmos, para redigir a sua Revelação, e também eu tornarei a sentar-me aqui, a escrever este texto, num Tempo, cujo ciclo será vizinho do infinito, e, então, nós igualmente voltaremos"



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Les fleurs du bien



Heart of Wax



In tempo lirico (pinturas de Manuela BaPtista, para o aniversário do Paulo Intemporal)



Primeiro,
um mar e um céu e um tempo
onde a água inteira quente
cantava estrela cadente.

Sentei o dia a contar idades;
dos mundos encontrei finitudes
de flores de efémeras cores
em minhas linhas finas
irisadas e ternas

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Un poème, ou deux, d'après un poème de Manuela BaPtista





O país daqueles pescadores cujas linhas eram linhas finas e os fios de peixe se tornavam fios ainda mais finos
e os reflexos do mar eram a confusa maresia, do mar, ou fio ou vida


de


fina

ainda mais linha fina

Os pescadores de linha fina e maresia,
e a linha fina que mal se via,
fina linha, vida via,
o fio da vida,
linha fia