domingo, 16 de fevereiro de 2014

. จนกระทั่งบัดนี้ .





Peço-te. Não te esqueças de o levar a passear todos os dias de manhã bem cedo e, se possível, à tardinha. Ele sabe puxar a trela que está pendurada no cabide da entrada e virá ter contigo mal pronuncies as palavras mágicas, vamos à rua…? Deverás colocar na voz este tom interrogativo e pausado, para que ele pense que a decisão é dele e não tua. A seguir fará uma pequena cena em que simula entregar-te a coleira e repentinamente recua a rosnar. Não cedas à tentação de ralhar com ele, entra no jogo, chama-o e à terceira tentativa quem cede é ele e de bom grado como poderás verificar. Ele conhece o caminho e escolherá aquele que mais lhe agradar, mas chegados ao parque, solta-o, ele fica doido de alegria a ladrar e a correr e não te preocupes, regressa sempre para junto de nós. À tarde a volta poderá ser menor e se não te importares, leva-o a cumprimentar a D. Margarida do 1º direito que mora sozinha e faz sempre uma festa quando o vê, para não falar das festas que lhe faz.
Quanto ao pássaro, assobia-lhe por favor pelo menos cinco vezes ao dia e limpa-lhe a gaiola duas vezes por semana. Coloca-o à janela virada para o rio para que ele veja os flamingos no sapal.
O peixe vermelho, alimenta-o uma vez por dia, quanto a conversas, ainda não percebi que linguagem utilizar. Normalmente encosto o nariz ao vidro do aquário e sorrio-lhe, ele gosta. O coelho anda à solta pela cozinha, rói uma cenoura de vez em quando, mas tem cuidado para que não roa os fios da máquina do café. E por fim a tartaruga. Essa não te dará trabalho porque está a hibernar debaixo do armário ou na gaveta das toalhas. Quanto às plantas, tens apenas que as regar.
Eu sei que é muito simples e que não terás dificuldades de maior, mas por precaução, fiz-te um gráfico com indicações de emergência que colei na porta do frigorífico. A pimenta preta corresponde ao cão. O açafrão, ao pássaro. A canela, ao peixe. O gengibre, à tartaruga. Os cominhos, ao coelho. A pimenta vermelha, às violetas e a pimenta branca, às plantas verdes.
Não te rias. Isto sou eu a soltar-me do peso dos meus dias, a desfiliar-me por agora do meu país, a mergulhar num tempo infinitamente azul, de mar azul-azul com umas pitadas de caril a enfeitar.
E numa folha de lima verde, deixo-te este recado doce e apimentado para te lembrares de mim
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