domingo, 16 de novembro de 2008

Parte 1

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Entre a escuridão, abruptamente, ouviu-se um estrondo, seguido de vozes que falavam em outras línguas. Havia um pouco de claridade. Um feixe de luz, cordialmente, entrava no quarto escuro, pelas frestas da porta velha de madeira comida por cupins, permitindo, que as pupilas dilatadas, admirasse a ilusão das cores projectadas, dum pequeno prisma polido, segurado pelo senhor da casa.
O pequeno jovem, que ali encontrava-se, meio sentado e meio deitado, no canto direito do tal quarto, abraçando suas finas pernas e escondendo o seu rosto cheios de lágrimas nos seus joelhos, acordou, não percebendo, a sequência lógica deste sonho real. Ele não conseguia se recordar onde estivera anteriormente, de modo que, sentia que a sua existência não teve um início, apenas aproximava do fim. Quando lhe passava essas suposições pela cabeça, eis que repentinamente ouviu um agradável assobio de pardais, e devagar, entre o breu, rastejava-se receoso que alguém lhe pudesse ouvir, até uma dessas frestas. E viu um senhor de aparência singela, a assobiar. O rapaz logo percebeu que o homem, realmente conseguia falar a língua dos animais. Era coxo duma perna, de cabelos encaracolados como ondas bravias, e escuros como amêndoas assadas, tinha estatura baixa, pequenos olhos que, não se sabia se estavam abertos ou fechados, tão pouco a sua cor. Era bem magro, e a sua pele era semelhante a ameixas secas, bem enrugadas, por causa da idade avançada.
De repente, o garoto deixou-se cair no chão áspero, porque estava faminto e tinha sede, e nesse momento, o velho senhor aproximou-se, abriu a porta, e levantando-o pelos braços, disse:
-Bem vindo.
-Quem és? - Disse o garoto, assustado, enquanto se levantava.
- Sou um velho feiticeiro, que os dias já são longos. Quanto ao meu nome, um dia hás-de saber, porque o nome de um homem, é o tesouro mais valioso que ele possui. É sinónimo de vitalidade, e intimidade. Podes me chamar apenas de velho, Evan.
- Como sabes o meu nome? Como aqui vim parar?
- Fazes muitas perguntas. Para já, digo-te que é aqui que vais ficar, e sou o teu encarregado, deste lado.
-Que lado? - Respondeu Evan, franzindo as sobrancelhas.
Então, o velho não respondeu, apenas balançou levemente a cabeça, como um sinal de aprovação, e o rapaz foi tomado por um susto muito grande, e percebeu, o que o velho quis dizer. Do seu coração nasceu um grande temor, mas manteve-se calado por um longo tempo, tentando lembrar-se do que havia acontecido, entretanto, era incapaz, porque não havia memória alguma.