quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Turbulência

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O silêncio absurdo é quebrado pelo seu narcisismo idiota, e já não sei se ainda restou algo aqui. Os meus olhos vêem tudo tão distante, e contemplo o eterno e o vazio com o meu cigarro barato e uma dose de wisky. Esse mel que me é agradável na garganta, e com vozes roucas brigo contigo porque estou exausto, e não consigo chegar em casa antes do anoitecer. Mesmo os travesseiros de algodão macio não mais me deixam sonhar em paz, nem me fazem mais voar às estrelas. 
Ofereça-me um jantar hoje a noite para que brindemos sobre coisas que não vamos fazer, assim eu não iludir-me-ei mais, e finalmente perceberei que algumas coisas não vão mudar, e o “nem quem seja outro dia” vai existir.
Eu que sempre guardei os meus dias, fico sem chão onde pisar, porque estavam cheios de bolor. Tento negar a fumaça que se dispersa no ar, avisando que o meu sentimento mor, fumegou. 
Sei que não consigo recuperar os cintilantes sorrisos nem os faiscantes olhares, entretanto guardo aqui aquela foto que foi tirada no crepúsculo do verão, talvez não se recorde. Tudo bem, agora, apagas o fogo e fechas a porta ao sair, porque vou continuar aqui a contemplar a minha luxúria e ver um filme antigo e cabeças degoladas.
Prometo que hoje não vou ter pesadelos quando dormir, isso porque já me habituei ao sangue que escorre, e as mortes comuns que me cercam. Prometi não voltar e não vou, já me levantei para ver o dia anoitecer. Nada mais vai me machucar, mesmo sem saber porque, só que eu já tirei esse desgosto do meu coração e não vou dar sorrisos hipócritas quando me disserem que o garoto tem que morrer.
Quem me disse, amor, que os jovens têm pálpebras abertas e flechas em suas mãos? Talvez fosse um desejo inatingível. É tolice e débil crer assim. O mundo não merece o nosso bom pecado e nossa paixão idiota. É minha culpa, mas é tudo tão bom, e isso equilibra a balança entre o bem e o mal.
Sabe, já não há como conseguir parar isso, nem como consertar os erros, deixamos ir muito longe, todavia, se eu for muito pesado de se carregar, podes me deixar aqui, eu fico esperando o teu retorno improvável. Melhor repartir comigo mesmo o meu medo de dizer o que mais me fere e o que eu mais odeio em ti, é tão aliviante. Me aquieta a alma.
Vou provar que a minha carne dilacerada foi entregue como oferenda ao Satã, e o meu rosto que foi desfigurado e enterrado sem o meu corpo, porque ele é sádico. E poder gritar onde está o capitão, e dizer que não foi mais um delírio do meu lado sonhador.
Não sei mais o meu destino, porque, está a minha vida, em colapso.