segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vento nos umbrais

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Ah a minha imaginação maldita que só esboça o rasgado! Hoje, bem-disposto, levantei-me às quatro da manhã, e me despi do fato da sujeira. Corro, corro, corro, e já não me despedaço, porque fez-se luz onde, outrora habitava trevas. Deixei de perseguir a mim mesmo e lancei por terra a fúria sobrecarregada, qual era, um fardo muito pesado de se carregar.
Nessas tentativas, de não me assustar comigo mesmo, consegui , ao fim desse combate interior, enxergar o reflexo de um jovem no espelho. Ainda levemente distorcida a imagem projectada, percebi que era eu, não tão feio, não tão desprovido de inteligência, nem incapaz, nem grotesco, nem tais adjectivos, que anteriormente, me auto-concebia.
Erra que julga-me, agora, como narcisista. Digo que apenas que já não abomino o corpo em que dividem espaço a minha alma e o meu espírito. Essencialmente, considero-me o velho come-ratos.
Os dias e o passado, não desprezar-me-ão novamente, antes, terei sempre um local de refúgio, para me relembrar das lágrimas derramadas e do cenário, que me é distante neste momento.
Tiraram dos meus olhos, as escamas que me cegavam, e claramente vejo o meu rosto na água que demonstra contentamento e uma mínima satisfação pessoal.
Foi a eterna busca de encontrar quem eu haveria de ser, que mostrou-me que o que sempre procurei, não era mais que um simples reflexo.
Tenho de regressar à casa, e ouvir o “pocotó” de éguas virgens a vaguearem pelo cambo, escutar a música dos pardais, sentir a brisa fresca da primavera e o sol morno que aquece-me o coração. É nessa simplicidade que regozijo-me.
Quando Margot me vier questionar acerca das coisas belas e puras da vida, é exactamente a respeito disso que lhe falarei, e ainda sim, do amor em abundância dos deuses, que hei-de murmurar suavemente em seus ouvidos, para que também a sua falsa situação, converta-se em um repouso consequente. E direi: “Aquieta a tua alma, oh mulher bendita! Gozas do bucolismo que está à tua volta de ti e que não vês! Meditas no teu espírito e olhas com olhos de amor para ti!”
Os meus versos desvairados são perfeitamente expressivos para mim. Digo que, apenas possuo uma facilidade proveitosa (?), para transpor cânticos de coisas imediatas.
Sinto, agora, que , posso ganhar a vida, tendo em mim coisas fortes e duradouras, e escrevendo uns bocados de memórias futuras.